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COLUNA : Tiago Froks - Resenha de 10 bons discos lançados em Fevereiro
24/03/2019 14:13 em Ultimas do Mundo Rock

Dando sequência à matéria anterior onde listei 10 bons discos lançados em janeiro desse ano.

A presente lista conta com outros 10 discos que ouvi na íntegra e que realmente considerei acima da média. Continuo com a proposta de evidenciar bandas consagradas juntamente com outras menos conhecidas. A variedade de estilos é grande, indo do rock alternativo ao metal extremo. Compartilhem sua impressões e caso queiram conferir a primeira lista, está no final dessa matéria.

AVANTASIA
Moonglow

(opera rock / power metal / hard rock) ALEMANHA

 

A nova ópera rock de Tobias Sammet deu um passo à frente de seu antecessor, Ghostlights, de 2016. Com isso não quero dizer que o disco seja melhor, mas sem dúvida é mais audacioso. As composições estão ricas, trabalhadas e longas, bem longas. Sem dúvida Sammet não pensou em termos mercadológicos ao conceber esse álbum. Como já é de se esperar num lançamento do AVANTASIA, há vários convidados especiais - alguns estreantes. Hansi Kürsch (vocal, BLIND GUARDIAN) é um dos mais notáveis e contribui em 2 faixas: "The Raven Child", onde ele explora todo o feeling de sua voz mais suave - como em "The Bard's Song" e na mais pesada "Book of Shallows", que também conta com Ronnie Atkins (vocal, PRETTIE MAIDS), Jorn Lande (vocal, banda solo e MASTERPLAN) e a mais inusitada Mille Pedrozza (vocal e guitarra, KREATOR). Candice Night (vocal, BLACKMORE'S NIGHT) também foi convidada e deixa um pouco as canções renascentistas de lado e emplaca um hard rock (hard pop, seria mais correto) e faz um contraponto bem legal ao resto do disco. Outro ponto alto em relação a participações especiais, é o tema "The Piper at the Gates of Dawn". Além dos nomes de Atkins e Lande citados a pouco, também colaboram Bob Catley, Eric Martin (MR. BIG) e o Geoff Tate (banda solo, ex-QUEENSRYCHE). Há toda uma atmosfera otimista que faz dessa uma das melhores composições do álbum. "Invincible" é mais introspectiva e possui uma dobradinha bem emocional entre Tate e Sammet. Agora, seguindo a tradição e confirmando a expectativa dos fãs, novamente temos a presença de Michael Kiske (não precisa de apresentação, certo?). "Requiem for a Dream" fecha o álbum com uma energia absoluta, mesclando o power metal clássico dos tempos de HELLOWEEN com aquele refrão teatral, típico do AVANTASIA e de seu rock teatral. Ainda temos um bônus legal, que é o cover de "Maniac", aquela musiquinha viciante do filme Flashdance, de 1983 - Eric Martin quem faz as vezes aqui.

CHILDREN OF BODOM
Hexed

(death metal melódico) FINLÂNDIA

 

Antes de falar do disco, falemos da capa. Essa linda pintura em tons de roxo (ou violeta) me fez pesquisar o autor, afinal esse traço não me era de todo desconhecido. Denis Forkas é um artista russo que, além dessa maravilhosa arte, também criou outras para bandas de metal extremo. A saber, a mais notória delas, The Satanist do BEHEMOTH. Para quem admira pinturas obscuras e com temática ocultista, vale muito a pena conferir a página do artista. O décimo álbum de estúdio da banda finlandesa deve agradar aos fãs. Eu, como não sou um deles, consigo dizer no máximo que esse é um álbum mediano – sem grandes destaques, nem grandes decepções. A velha fórmula da banda continua a mesma: death metal melódico com influência de neoclássico, principalmente nos solos de guitarra e nas passagens de teclado - não tão evidentes como em outros discos, mas quando surgem, contribuem bastante para diversificar as composições. Dentre as faixas que mais curti do álbum, destaco duas: "Kick in a Splenn" e "Hecate's Nightmare". A primeira além de possuir um riff bem pesado e veloz, também conta com uma solo dobrado de guitarra e teclado que é o momento mais alto do disco - Alexi "Wildchild" realmente é um grande músico (e exibido, afinal canta e ainda faz guitarra solo). Já o segundo tema, pela introdução industrial, remete ao clássico Are You Dead Yet? que apesar de dividir a opinião dos fãs, ainda é um dos principais discos da banda.

DREAM THEATER
Distance Over Time

(progressive metal) EUA

 

Dentre as bandas mais clássicas do metal progressivo, minha favorita é sem sombra de dúvidas o FATES WARNING. E por que dizer isso numa resenha do DREAM THEATER? A resposta é até certo ponto, simples: o progressivo é naturalmente um ambiente que admite excessos, mas deve-se tomar cuidado para não perder a mão das composições e soar forçado. O FATES sempre foi uma banda de metal melódico – a postura progressiva apenas enriquecia as composições. No caso do DREAM THEATER recente, cansei de ouvir temas que pareciam emergir de um workshop de instrumentos. Querem um exemplo nesse disco? A faixa "Barstool Warrior". Apesar de toda técnica dos músicos, a composição não consegue soar relevante. É uma tentativa pretensiosa de emular um YES pesado e com elementos modernos. A despeito dessa breve crítica, o álbum me agradou. A voz do James Labrie tem resistido bem ao passar dos anos e sua performance não decepciona em nenhum momento. Mike Mangini desfila sua técnica como já era esperado. Li algumas resenhas dizendo que esse é o seu melhor trabalho com a banda. Até concordo, mas não exatamente por conta do seu despenho individual, e sim pela banda toda soar mais homogênea. Os dois Johns, Myung e Petrucci, se destacam em seus respectivos instrumentos, tendo o primeiro um grande momento na introdução da faixa "S2N" e o segundo em diversos riffs e principalmente no segundo solo de "At Wit's End". Individualmente, o destaque do álbum fica com Jordan Rudess. Há diversas ambientações interessantes de teclado durante todas as faixas e ainda solos e dobradinhas com o Petrucci que realmente chegam a impressionar. Tendo em vista eleger a melhor composição do disco, fico com "Fall Into the Light". Além do ótimo riff de baixo, a faixa tem a melhor linha vocal do Labrie e também conta com um refrão bastante emotivo.

JOSE ANDREA & URÓBOROS
Bienvenidos al Medievo

(heavy metal / folk metal) ESPANHA

 

Uma breve história: em 1997, a banda espanhola de heavy metal com influência folk MÄGO DE OZ, lançou um ep com cinco regravações de seu disco de estreia homônimo. O lançamento tem o título La Bruja e até hoje, a bruxa desenhada na capa é uma espécie de mascote da banda. Pois bem, esse lançamento marcaria uma mudança que seria definitiva na história do Mägo. Jose Andrea, um cantor nascido em La Paz, capital da Bolívia, foi escolhido para assumir o papel de frontman (ok, ele já havia registrado os vocais do segundo álbum, mas a magia toda ainda não estava lá). Desse ep, eu pediria que você leitor, ouvisse ao menos a faixa "T'essnucaré Contra'l Bidé". Depois de deixar a banda, em finais de 2011, Jose montou um novo projeto (inclusive com outros ex-integrantes do Mägo de Oz) e esse é o seu terceiro álbum de estúdio. Bem, se você ouviu a faixa citada a pouco, já está ciente de que estamos diante de uma voz realmente especial. Agora vamos ao disco! A começar pela acelerada "Matar el Rey", Jose mostra que sua voz está definitivamente recuperada. Com uma performance que lembra muito sua fase no disco La Leyenda de la Mancha, a composição é um típico power metal espanhol (difere consideravelmente do power de outros países, como o alemão, por exemplo). A segunda faixa "Una Fábula de Mi y Yo" é um exemplo claro do quão a maneira de cantar do Jose pode ser carismática. O refrão é uma prova viva disso! O disco segue com "Allá Donde Estés Tu", uma típica canção folk metal, que revive muito a sonoridade de sua ex-banda. Ademais, o disco intercala boas canções e algumas irrelevantes, como uma nova versão de "La Canción de los Deseos". O disco está bastante variado, explorando do rock'n roll ao heavy metal e evidentemente, o folk. Há também espaço para a música clássica. O breve interlúdio intitulado "Sonata Nº1 – Piano" que introduz a balada do disco "Ocaso" (muito bonita por sinal) e uma tentativa (talvez desnecessária) de apresentar seu lado tenor, na deslocada "Alba".

MEAT PUPPETS
Dusty Notes

(rock alternativo / folk) USA

 

Fiquei impressionado quando vi que esse já é o décimo quinto álbum dos caras. O MEAT PUPPETS tem uma trajetória singular. Sua história incide sobre a de outra banda. É praticamente inevitável não lembrar-se do acústico do NIRVANA ao falar sobre eles. A partir da regravação de 3 faixas de seu segundo álbum, MEAT PUPPETS II, de 1984, os irmão Kirkwood passaram a notabilizar-se como figuras icônicas dentro do rock alternativo. O presente álbum é resultado da constante escavação que a banda vem fazendo em sua própria sonoridade. Se você pegar o primeiro álbum, e dele retirar toda a distorção e a energia punk, terá melodias muito próximas a das composições atuais. Ouça a faixa "The Great Awakening". O tema possui um belíssimo trabalho de guitarra e violão. Não há peso algum em seus quase 5 minutos de duração. Mas assim, é muito fácil imaginar a mesma composição com distorção e toda a energia que a banda possuía outrora. No geral, o disco soa bastante folk, com reminiscências de CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG, inclusive no trabalho vocal, onde há passagens bem trabalhadas. "Nine Pins" e " Nightcap" são bons exemplos. "Dusty Notes" também possui a mesma influência folk, porém conta com outros elementos, como passagens inusitadas de metais. Uma constante no álbum é o acompanhamento de piano em quase todas as composições. Esse acréscimo aos arranjos deu certo ar de sofisticação que favoreceu muito o trabalho em sua integralidade. Por fim, cabe destacar o tema mais pesado do disco "Vampyr's Winged Fantasy". Toda a distorção que brincou de esconder durante o álbum, surge em riffs potentes, acompanhados de efeitos de sintetizador e aquelas clássicas viradas de bateria, com apenas batidas na caixa, pouca técnica e muita pegada.

MOTORPSYCHO
The Crucible

(rock progressivo / art rock) NORUEGA

 

Nem só de black metal vive a Noruega. O MOTORPSYCHO é uma banda intrigante. Em 1993 eles lançaram o álbum Demon Box. Posso assegurar que esse disco está entre os melhores que o movimento grunge produziu nesse ano. Ainda nos anos 90, eles lançaram o aclamado Timothy's Monster. Esse disco é figura carimbada em qualquer lista de melhores álbuns noruegueses de todos os tempos. Não bastasse o já falado, a banda também enveredou pelo jazz, psicodélico, progressivo, experimental...a lista é grande. Em seu novo álbum, a criatividade assustadora dos integrantes Bent Saether e Hans Magnus continua sem limites. São apenas 3 faixas que compõem o disco. Cada uma delas merece menção: "Psychotzar" inicia com um riff de sonoridade setentista, bem na linha BLACK SABBATH. O trabalho de guitarra é o grande mote dessa composição. Solos encadeados e ambientações densas formam o arcabouço dessa surpreendente abertura. A segunda faixa "Lux Aeterna" me soou como um tributo a uma das maiores bandas que já passaram por esse planeta: KING CRIMSON. As levadas quebradas de bateria, o teclado intenso (quase sufocante) e aquele som dissonante de guitarra, num timbre nada usual, recorda-me muito das criações do lendário Robert Fripp. Faixa épica! Já o último tema "The Crucible", é uma suíte que ocupa todo o "lado b" do disco. O primeiro quarto da composição é instrumental, e nele destaca-se a introdução num pesado riff de baixo. A parte vocal entra em cena com um trabalho que me fez lembrar muito do Jon Anderson e da sonoridade ímpar que ele imprimia nas composições do YES. O que podemos chamar de terceiro movimento, inicia-se aos 10 minutos e é uma espécie de jam perturbadora, cíclica e hipnótica (funcionará bem ao vivo). A parte final, é o momento catártico da obra. O melhor solo de guitarra do disco prepara o cenário para o trecho vocal mais emotivo até então. Simplesmente genial! Para aqueles que insistem em dizer que o rock já não é mais "aquela coisa", ouçam isso aqui e repensem o discurso.

MYSTIFIER
Protagoni Mavri Magiki Dynasteia

(black metal) BRASIL

 

Essa não é uma banda qualquer. Se tivermos que eleger as 5 bandas de metal extremo mais importantes do Brasil, o MYSTIFIER deve figurar entre elas. O pioneirismo na cena black metal não se restringe ao nosso país. Antes mesmo do estilo cruzar as fronteiras da Noruega e profanar o mundo no início dos anos 90, bem distante do inverno do norte da Europa, aqui em Salvador, capital da Bahia, a banda já fazia um som rigorosamente extremo, com todas as características que definiriam o estilo mundo afora. Sem medo de incorrer em erro, coloco o disco Goëtia de 1993, entre os mais emblemáticos do black metal mundial. Pois bem, vamos falar do disco. A sonoridade do MYSTIFIER nunca se limitou a riffs velozes e blast beats aleatórios. A criatividade sempre foi uma constante no som da banda. De cara, ouça a introdução de baixo do tema "Weighing Heart Ceremony". É de uma beleza absoluta - sem conta que rompe violentamente com o previsível. Ainda nesse tema, também quero destacar o vocal do Diego Urden. Ele mantém a tradição que o Asmoodeus tinha de variar frequentemente a voz. Além do vocal rasgado e gutural, ele também explora um formato falado, numa espécie de recitação – muito semelhante ao Dagon, vocalista da ótima banda colombiana INQUISITION. O trabalho de guitarras também é de encher os olhos. Beelzeebubth abusa das mudanças de andamento e, não raro, sola como se estivesse numa banda de NWOBHM. Não seria exagero enquadrar o álbum como avant-garde black metal. Há diversas ambientações, passagens acústicas e efeitos pontuais de teclado. Para concluir essa resenha, também quero comentar a linda arte da capa. Com uma riqueza assustadora de detalhes (procure ver uma imagem ampliada) o artista italiano Paoli Girardi fez um trabalho soberbo – conseguindo captar a enorme variedade de temas abordados nas letras.

QUEENSRYCHE
The Verdict

(progressive metal) USA

 

Não é exagero dizer que com o QUEENSRYCHE o metal progressivo nasceu, o metal melódico alcançou novos patamares e o power deu seus primeiros passos. Uma banda com tamanha importância continuar na ativa e ainda lançar álbuns relevantes, é uma demonstração clara do quão o rock e o metal possuem longevidade e de como os seus fãs são fieis. Eu sou daqueles que consideram o Operation Mindcrime uma obra sensacional e tendo esse disco como parâmetro, sempre espero um lançamento em alto nível da banda. Mas confesso que não esperava tanto. Que belíssimo álbum temos aqui! Apesar da banda só contar com dois de seus integrantes originais, a saber Michael Wilton e Eddie Jackson, guitarra e baixo consecutivamente, a sonoridade ainda está muito próxima a de seu debut, de 1984. Mas não pensem em saudosismo e nem em mesmice. A banda soube se adaptar às mudanças exigidas pelo tempo, mas sem abandonar a proposta de fazer heavy metal com qualidade e com boas composições. Não é possível destacar com detalhe todas as músicas, então escolhi 2 que acredito sintetizarem bem o disco. A primeira é "Inside Out". A faixa começa introspectiva, com uma bateria eletrônica e efeitos na voz do La Torre. Até certo momento, a composição parece fugir aos padrões...mas apenas até entrar o refrão. E que refrão! Toda a história da banda passa diante dos nossos olhos (ou ouvidos, que seja). A segunda composição que destaco, é daquelas que te cativam logo de cara. "Dark Reverie" inicia com um belo dedilhado e tão logo entra o vocal, percebe-se que o substituto do Geoff Tate foi uma escolha mais que acertada. Uma voz potente e dona de um timbre realmente especial. O jovem guitarrista Parker Lundgren também faz um belíssimo trabalho nas seis cordas.

SOPOR AETERNUS & THE ENSEMBLE OF SHADOWS
Death and Flamingos

(post-punk / death rock) ALEMANHA

 

Para aqueles que achavam o GHOST misterioso e morriam de curiosidade sobre o que as máscaras do SLIPKNOT ocultavam, essa banda aqui faz essas duas parecerem infantis. O SOPOR AETERNUS (sono eterno, em latim) é uma banda formada apenas por um integrante sob o pseudônimo Anna-Varney Cantodea. As informações sobre a banda são tão escassas e controversas, que nem essa informação sabe-se realmente ser verídica. O verdadeiro nome da vocalista nunca foi revelado - e a banda está na ativa desde 1989. Levei um susto com a sonoridade desse álbum. A banda que iniciou fazendo um rock gótico com elementos eletrônicos, algo típico da cena germânica de dark wave dos anos 80, também explorou o neofolk e o ethereal. Em Death and Flamingos, a atmosfera é muito mais orgânica, o que me faz pensar que a Anna-Varney não fez tudo sozinha dessa vez. As composições do disco estão bem próximas do death rock, com passagens pontuais de sintetizadores. Para quem curte post-punk, faixas como "Spellbound" e "Mors Ultima Ratio" vão agradar demais. Já temas como "Kinder des Teufels" caminham mais próximo à sonoridade do death rock, porém com inserções de teclado que enriquecem consideravelmente a composição. The "Boy Must Die" é uma faixa em tempo mais lento, chegando a resvalar no doom. Fora tudo o que já foi dito, acrescente uma voz marcante, que intensifica muito a atmosfera melancólica, solitária e por vezes lúgubre das faixas. Para traçar um paralelo, imaginem o vocal do SUEDE, Brett Anderson. O timbre de ambos é muito semelhante, com a diferença da Anna-Varney cantar de forma mais teatral e de imprimir um tom de quase-desespero em sua voz.

THE TWILIGHT SAD
It Won/t Be Like This All the Time

(alternative rock / post-punk) ESCÓCIA

 

Não conhecia a banda. E também não gostei de primeira. Precisei ouvir a música certa do álbum para conseguir enxergar qualidade e me conectar de alguma forma. O primeiro tema do disco "[10 Good Reasons for Modern Drugs]" é em termos gerais, uma composição indie com ênfase nos teclados. Para quem curte o MUSE, é uma boa pedida – para mim, deu apenas preguiça. Não estava mesmo disposto a ouvir o álbum todo, até que aleatoriamente a faixa "The Arbor" começou a tocar. Sabe o que falei da música certa? Pois é exatamente ela. De forma instantânea, o tema me cativou de forma inesperada. A orientação indie também existe aqui, mas o apelo primordial dela é o post-punk. A introdução com a bateria eletrônica, o baixo soturno e aqueles toques limpos de guitarra, criou um clima legitimamente oitentista. O vocal, apesar de também manter o tom grave típico do gênero, faz uma ponte com o indie moderno, dando uma identidade única para a composição. Sem exagero: essa está sem dúvida entre as melhores composições que ouvi em 2019! A despeito da primeira faixa que não gostei muito, o resto do disco é felizmente muito bom. Consegui buscar na memória uma banda que soa de certa forma análoga: o DREDG. O vocal de ambas é semelhante e mesmo o arcabouço das composições são bem próximos. Além do tema supracitado, também gostaria de destacar a faixa a "Shooting Dennis Hopper Shooting" com sua distorção e vocais intensos e a levemente eletrônica "Videograms".


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